Sábado, Novembro 21, 2009

Exploração do petróleo


Ao actualizar-me na leitura da imprensa diária, deparei-me com a vontade do Joe Berardo em explorar petróleo na costa portuguesa. Já há algum tempo, a Galp e a Petrobrás estabeleceram um acordo que previa a realização de sondagens com o mesmo objectivo. A experiência na detecção de petróleo por estas duas empresas abriu uma interessante expectativa, reaberta agora com o desejo do empresário português. Que há petróleo em Portugal, nunca houve dúvidas. A questão está em saber se é numa quantidade suficiente que justifique a sua exploração. Por agora, contentamo-nos com o petróleo que o saudoso Raúl Solnado descobriu no Beato...

Segunda-feira, Novembro 16, 2009

O meu diagnóstico aproxima-se bastante do efectuado pelo professor Medina Carreira

O país está a viver um momento medronho.

Sábado, Novembro 14, 2009

Desabafos do Povo: Seleccionador Nacional, Seleccionador Musical?

Esperemos que o nosso seleccionador nacional de futebol seja melhor nessa função, do que na de seleccionador musical na TSF... Só na primeira função, aliás, lhe podemos pedir contas.

TAMBÉM AQUI.

Terça-feira, Novembro 10, 2009

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Segunda-feira, Outubro 26, 2009

Almanaque do Povo

[Almanaque Ilustrado d'O Século (1903): MundoLivro.Net]

Ouvir livros - Sei de algumas pessoas que costumam levar podcasts disto ou daquilo para o carro, o comboio ou o avião, mas consumidores de audiolivros acho que não conheço nem um. Tenho experimentado a coisa nos últimos meses, e devo dizer que a experiência é bastante positiva: em português de Portugal (aqui e aqui encontram-se algumas hipóteses) ainda não abundam as escolhas, mas quem se dê bem e até queira melhorar o seu inglês (em algumas livrarias lisboetas encontrei cd's da Penguin Readers por €5,00-€9,00) e francês tem oferta farta. Para quem já passa bastante tempo de olhos nos livros, poder ouvi-los é uma prazenteira alternativa.
Lavrar roupas - Makeshift é um projecto virtual-artesanal que se pode acompanhar num blogue. Até aqui, nada de novo. Natalie Purschwitz, a autora, deixa-nos espreitar a sua mais recente empreitada, iniciada no mês passado, e que durará um ano. O seu objectivo, esse sim, é temerário: é possível viver vestindo-se, calçando-se e ornamentando-se sem recorrer a uma peça que não seja feita pelas suas próprias mãos?
Pintar cheiros - Ora aqui está outra grande ideia: não haverá para aí um sprayer mais vanguardista que convença os grafiteiros das nossas cidades a seguir o Mitchell Heinrich, a instituir que a tinta já era, que tags de laranja, hortelã-pimenta e pinho pelas fachadas e esquinas das nossas ruas é que é?

Segunda-feira, Outubro 19, 2009

E muito lusitano...

Um Python menos afamado que o jogo de futebol entre filósofos, muito bem lembrado aqui.

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Sexta-feira, Outubro 16, 2009

Il Divo

A longa metragem «dedicada» a Andreotti dá que pensar, sobre política e cinema.
Como filme fica preso das suas próprias indecisões, ou idiossincrasias. Quer ser um pouco de tudo, em termos de géneros: documentário, filme denúncia, polícias e ladrões à moda antiga, comédia negra, sátira política. Isso nota-se desde logo em termos formais, na combinação desconcertante de uma montagem acelerada, banda sonora mesmo-muito-pop (e boa) e uso de legendas inspiradas no cinema britânico. Tanta, tanta coisa, acaba por criar um filme intenso e cativante, talvez um pouco longo (promete mais do que acaba por dar, preso por não escolher entre as diversas hipóteses do que podia ser), mas sem o equilíbrio e uma unidade como a do Caimão de Moretti.
Isso mesmo também o compromete politicamente. Enquanto Moretti conseguia «ser italiano» sem ficar paroquial, Il Divo retoma tão literalmente a vida político-judicial-mafiosa italiana que acaba por ser por vezes fastidioso segui-lo, mesmo para quem se interesse por política. O que é irónico para um filme que podia ter em Andreotti um arquétipo do político da Guerra Fria, agora que o tempo desta passou. Em vários momentos (entre os quais alguns dos melhores do filme), é nítida uma empatia com «Il Divo», fazendo justiça à complexidade e ao trajecto único de Andreotti. E, no entanto, esses momentos emocionantes do filme (nos quais brilha o underacting do actor principal, soberbo), diluem-se em momentos de verdadeira histeria e insinuação (mesmo acusação) unilaterais. O objecto cinematográfico híbrido distorce também a leitura política (o que não deixa de ser boa estratégia, aliás). Centrado em Andreotti, fica-se sem uma imagem dele, seja ela simpática, antipática ou ambígua. Isto porque a complexidade não nasce da sucessão (mais do que combinação, que verdadeiramente o filme não faz) de «quadros», ora empáticos ora aviltantes, nasce da matização entre todos esses elementos. E poucos momentos há, em todo o filme, nos quais essa complexidade seja devidamente focada. O que faz com que Andreotti não chegue a estar no filme apesar de o ocupar do princípio ao fim, nunca está nem quando é acusado de tudo (excepto das Guerra Púnicas...), tal como não está quando o vemos em conversas pessoais brilhantes. Simplesmente, está um boneco, magistralmente animado por quem o interpreta. Mais do que motivos para se sentir insultado, tem motivos para se sentir triste, o filme não está á sua altura. Nem podia, talvez. Gigante ou não, é demasiado para este filme.
Fica um objecto de entertainment que vale o preço do bilhete e uma viagem de montanha russa pela estrada sinuosa que é a vida política de Andreotti (mesmo de Itália, o que já é dizer tudo...). Da-da-da.

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Quinta-feira, Outubro 15, 2009

Momento Kodak

O debate "Prós e Contras" que a RTP transmitiu na segunda feira passada revelou-se interessante e um momento a recordar: os jornalistas deram-nos o privilégio de ver contrapostas diversidade de posições, afastando-se do monolitismo de defesa corporativa que parece ser uma regra sacrossanta.

Segunda-feira, Outubro 12, 2009

Excluído à partida?

Fala-se sempre do Iraque a respeito da presidência de W. Bush, em termos que reduzem esta ao que se passou em Bagdad e, assim, ignora-se as consequências das imensas mudanças internas efectivadas nesses dois mandatos (segurança interna, composição do Supremo Tribunal, apoio a grupos de pressão religiosos, entraves à pesquisa científica, desinformação sistemática por via de blogs e da Fox News, mais um longo etc.).
Do mesmo modo, as reacções, sobretudo as negativas, ao Prémio Nobel atribuído a Obama são exclusivamente pensadas em termos internacionais. Que o Prémio seja atribuído quando Obama enfrenta o maior risco da sua Presidência até agora (foi a reforma da Saúde que fez Clinton sofrer a sua primeira grande derrota), num clima interno de agressividade histérica de que os «birthers» são apenas uma das faces (e, não por acaso, um clima acicatado por meios de comunicação como a Fox News e editorialistas como Rush Limbaugh), parece ser irrelevante. Claro que o apoio dos «estrangeiros» (mais a mais, «europeus»), até irá contribuir para estimular esses ataques, bem mais desgastantes que as perguntas de Walesa, as opiniões de Chavez ou as ameaças dos talibans. Mas em todo o caso, se se quer fazer uma leitura política do Prémio (como aliás a Paz recomenda que se faça), convinha não excluir à partida o que ele transmite de apoio a um presidente envolvido em graves conflitos domésticos.
E não é preciso ser obamista para concordar com a escolha.

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Quinta-feira, Outubro 08, 2009

Dogmatismo feriado

O bicho carpinteiro foi de férias. Bem visto, depois de a teoria da derrota permanente do PS às mãos de Sócrates se ter convolado em tese de Cavaco Silva como Craveiro Lopes.
SIC (noticias) transit...

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Terça-feira, Outubro 06, 2009

Almanaque do Povo

[também conhecido por Almanaque Fontoura,um dos mais populares do Brasil novecentista, idealizado por Monteiro Lobato]

Tonificantes (para a crise): a verdade é que, havendo vagar, é possível sair e fazer algo interessante sem ficar de carteira vazia. O portal aborlix.com é prova disso; a sua consulta é bem útil na organização de terapias de entretenimento com baixo orçamento.

Bulas (eleitorais): um lugar nada menos útil é seguramente este, de Roberto Ortiz de Zárate, editor de biografias de líderes políticos do CIDOB. Com tantos países e tanta rotatividade, é bom ter instrumentos de pesquisa eficientes.

Elixires (misteriosos): Dobra é, como já saberão, o título do novo volume de poesia reunida de Adília Lopes, pela Assírio & Alvim. Informam-se os indefectíveis do costume que haverá recital por voz da própria (18:30h) e lançamento da obra no dia 7 de Outubro, no Anfiteatro 1 da UCP-Lisboa. Essa tarde (15:00h-18:30h), sob o mote o cheiro de Deus - trânsitos da crença na poesia de Adília Lopes, ser-lhe-á também dedicada, por iniciativa do Projecto Bíblia, Comunicação e Arte (UCP/FT/CERC/UCPER).

Terça-feira, Setembro 22, 2009

Coisas simples

A Assembleia da República «debateu» o fim do Jornal de Sexta da TVI.
Não há notícia que vá reunir para discutir a inventona das escutas.
Quem apoie o PSD actual, quem colabore com a Presidência, não merece já ser qualificado.
A Assembleia faz bem em nã reunir, o PS faz bem em não insistir no assunto.
Tal como com o Público, só não percebe quem não quer.

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Domingo, Setembro 20, 2009

Classe, Status e legislativas

O título deste post é uma dupla referência: imediatamente, ao ensaio de Hermínio Martins Classe, Status e Poder; mediatamente, e tal como o ensaio de Martins, relembra o ensaio de Max Weber Classe, Status e Partidos.
A propósito destas legislativas assistimos desde há muito a algo típico da sociedade portuguesa. Algo que já no tempo de Cavaco se manifestara mas, pelo menos para quem era adolescente na altura, de forma não tão visível*. O ódio de status. Não ódio de classe, por não se tratar de uma questão de propriedade (ou rendimentos). Ódio de status, por manifestar num discurso amesquinhante a respeito de alguém uma divisão social rígida. O seu critério não é a propriedade, mas a «boa sociedade» (Weber usou como critério «honra», mas o termo hoje pode ser mais equívoco).
Entenda-se: o que separa Sócrates de Manuela Ferreira Leite de Sócrates não é o dinheiro (a propriedade). Ambos serão classe média (alta). Aquilo que os distingue é o status. Anos de achincalhamento à licenciatura, à família, às casas que assinou antes de ser deputado, etc. foram um contínuo exercício de aviltamento do status de Sócrates, um parvenu aos círculos de poder. Ele bem o sabe e disse-o mesmo em várias entrevistas (sempre no estrangeiro). Nunca deu a parte fraca (e muito bem), liderando a maior mudança geracional na composição do PS desde a sua fundação. Nisso pode até ter salvo o PS de se fossilizar como o ainda cavaquista PSD. E, nisso, talvez até tenha salvo o regime político saído de 25 de Abril de 1974. De que serviu todo o exercício? Para o mesmo que servira o aviltamente de Cavaco (também ele, da província): para mostrar a diferença social, bem mais intangível, e inatingível, que a questão material da propriedade.
Isto vem a propósito de um artigo a escrever para a Finisterra. Mas fica hoje registado por causa da «peça jornalística» que o Público (sempre ele...) publicou hoje. Ferreira Leite, que não se doutorou mas é «doutora», é do «país do respeitinho», com família nos círculos do poder (leia-se: do Estado) desde o século XIX - e com resultados tão brilhantes como os dos seus consulados na Educação e nas Finanças. Sócrates é «videirinho», sem «nome» e sem nada que o recomende. Quem «explica» isto é um sociólogo, de isenção, equilíbrio e imparcialidade consabidas. Aliás, ser «sociólogo» é por si só infinitamente mais exigente que ser líder do maior partido de Portugal e chefe de Governo, a «explicação» é por isso inquestionável.
E o pior é que é mesmo.

* Embora não falte a memória de uma «reportagem» do Indy sobre o que calçavam os ministros de Cavaco, fotografando apenas os pés, para comentar sapatos e meias...

PS - E no entanto foi com dois provincianos que, em liberdade, à qual as «elites» só se conformaram após esgotada a última chance da ditadura (e o mediador ainda teve de vir dessas elites, de seu nome Mário Soares), foi com dois provincianos, dizia, com Cavaco e Sócrates, que em liberdade o país mais se desenvolveu e se alterou. Nada que interesse muito aos sociólogos. O respeitinho, de facto, ainda é muito bonito.

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Sexta-feira, Setembro 18, 2009

O Presidente que quis concorrer às legislativas e vai perder

O ano passado, a propósito de um plágio na Wikipedia de um texto meu no site do Instituto Camões, uma troca de comentários na caixa do post aqui publicado, fez-me lembrar uma anedota freudiana em que um tipo empresata um caldeirão a outro e quando o recebe de volta com um furo queixa-se, mas tem como resposta: primeiro, o caldeirão não está furado; segundo, já mo emprestou furado; terceiro, nunca me emprestou nada.
Hoje, ao ouvir o director do Público dizer que o mail foi forjado mas isto prova que invadiram o servidor do jornal (logo o SIS, à boa maneira maoísta...), lembrei-me da anedota.
Isto está tão mau que até Louçã faz boa figura, centrando a questão não no assessor mas no Presidente (como as palavras deste sobre a notícia de hoje bem revelam, de novo). Soares não resistiu a querer ser de novo Presidente, Cavaco não resiste a querer acumular Belém e S. Bento. Mas estes casos só interessem a quem queira ou apoie campanhas de casos.

PS - Depois das declarações do director do jornal e do seu dono, acerca de políticos que querem controlar o jornal, o dia não chegou ao fim sem a notícia (notíciário das 22h da RTP2) de a Administração do jornal informar que parece, afinal, não ter acontecido qualquer intrusão no sistema informático do jornal, o que não se encontra noticiado no Público online mas coincide com a notícia do inquérito interno. Resta saber quando chegam as desculpas do caluniador e seu patrão. Do aproveitamento de um desesperado PCP e do PCP da Direita, nada a dizer, seria eprda de tempo.

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Quinta-feira, Setembro 17, 2009

Força, camarada!

Aqui, a 17 de Julho, já ficou um exemplo de desinformação. Como esta não se detém nem perante factos, muito bem anda o caluniado na resposta.

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Quarta-feira, Setembro 16, 2009

Por Falar em Ligações

[Christoph Niemann]

... aproveito para dedicar a todos os blogueiros de mau sono - sim, não somos poucos - esta. O Abstract City, blogue do Chistoph Niemann no NYT, consegue um três em linha pouco fácil de encontrar - é divertido, bonito e doce.

Há muito tempo devida...

...a ligação ao Shakira Kurosawa. O som do post de 26 de Agosto foi o alarme necessário. Só falta o road runner para a diversão ser completa.

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Domingo, Setembro 13, 2009

11 de Setembro... no Chile

Terça-feira, Setembro 08, 2009

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Quarta-feira, Setembro 02, 2009

A revista e o êxito

Há certo tipo de revistas que encontramos sempre nos consultórios e estabelecimentos afins. Revistas adequadas à função de paliativo naqueles minutos de uma espera (quase) eterna. Os temas são invariáveis, ou por outras palavras, as revistas revelam uma unidade surpreendente – os amores e desamores, as roupas, os casamentos e os divórcios, as festas sociais sempre dos mesmos, tudo eventos sublinhados por legendas e acompanhados de fotografias. Numa ou noutra vez deparamos com alguma frase ou expressão que nos deixam embasbacados. Senão, reparem nesta: «Com dezoito anos Lolita já conheceu o êxito, pois não só já foi casada como até já é divorciada».

Terça-feira, Setembro 01, 2009

Desabafos do Povo, 1

[Comboio Rossio-Sintra, Julho de 2009]

Dos partidos é de ver, mas entretanto venha a nós o nosso Houaiss.